Eu conheço uma garota que tem sonhos e pensamentos perdidos. Uma garota que é totalmente desentendida pelo mundo, taxada como estranha, estressada. Que não dá valor a nada. Mas essa garota sabe que ela não é assim. Ela é fraca, tão fraca e faz de tudo pra se mostrar forte, afinal, como ela mesmo pensa, ela não precisa compartilhar seus sofrimentos e amarguras com ninguém. Quem a entenderia, afinal? Nem mesmo uma cópia fajuta dela, porque, como alguém a entenderia, se nem ela mesma se entende? Conheço uma garota que queria jogar tudo pro alto, mas ela pensa nos outros. E isso é um grande defeito, ela pensa demais. Talvez seja por isso que ela é julgada estranha, afinal, o que seria uma menina que muda seu humor tão rápido e despercebidamente, e acaba ficando ignorante à não ser estranha? Ninguém sabe, mas quando ela deita a cabeça no travisseiro, ela chora. Nem sempre é de tristeza, nem de felicidade. Só choro mesmo, tipo aqueles hábitos frequentes, que você pratica sem perceber, como respirar e piscar. Hábitos que você já acostumou a praticar. Ela chora até dormir, ou, na cabeça dela, ela chora até ir pra um mundo que ela gostaria que existisse. O mundo onde o amor é normal, onde ela consegue beijar o garoto dos seus sonhos, onde ela consegue tudo o que quer. Um mundo tão bom, que se ela o descrevesse pra você, com certeza você iria querer conhecer também. Essa menina que eu conheço não sabe se definir, mas gosta de se procurar dentro de si, em um turbilhão de personalidades, umas boas, outras nem tanto. Ela gosta de fechar os olhos e se imaginar atravessando o oceano como um pássaro, passando suas finas e delicadas asas ora rápida, ora lentamente pelo mar. Ah, pássaros. Ela queria ser um pássaro, só pra voar pra serenidade quando tudo estivesse desabando. E como desaba as coisas ao redor dela... É como se tudo fosse uma grande biblioteca e a cada passar dos dedos dela sobre os livros, todos caíssem, fazendo um grande estrondo e levando tudo em volta ao chão. Mas poucos sabem que o que ela mais queria era colocar cada livro de volta ao seu lugar, levantando tudo o que foi ao chão, só pra sentir de novo a sensação de felicidade e tranquilidade que ela tanto preza e gosta. E olha, vou te contar um segredo: essa garota que eu conheço é tão doce... Ela é como uma flor escondida, esperando que a encontrem e a cultivem. Mas como é difícil a encontrar! Digo, a encontramos em corpo, mas sua alma anda tão perdida... Ela tenta não demonstrar nada, mas é tão difícil pra ela, logo ela, que é como um livro aberto ao vento, à mostra de quem quiser ler seu passado, e livre pra quem quiser ajudar a escrever o seu futuro. Mas quem diz que ela gosta de toda essa liberdade que sua vida tem? Na verdade, uma casa de madeira, com uma xícara de café ao lado de um caderninho em cima de uma escrivaninha, de cara pra chuva cuja gotas sobem invés de descer seria muito melhor do que tudo isso que ela vive. Uma noite em cima de uma pedra de alguma praia deserta seria muito melhor do que um passeio na cidade, rodeada de gente a olhando. Não, ela não gosta de atenção, não mais. Quando criança, tudo o que ela queria era atenção, mas agora, ela só quer uma reclusão indesejada por muitos. Como eu te disse no início deste texto, ela é realmente estranha. E ela não se importa. Ou se importa, não sei, mas ela realmente não queria se importar.Uma pena que nem tudo o que ela quer não pode se realizar como um estalar de dedos.
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